Ingestão de carboidrato e mortalidade

Dietas Low Carb ganharam bastante adeptos devido ao seu efeito na perda de peso. Em um padrão alimentar normal 45% a 65% das calorias são provenientes dos carboidratos, portanto não existe refeição "low carb", vejo muitos stories no instagram mostrando opções de almoço ou jantar low carb. Esse padrão dietético só é atingido quando as calorias referentes ao carboidrato, de um dia inteiro forem menores do que a recomendação sugerida para a população saudável (<40%). Consequentemente, ocorrerá um aumento na quantidade de proteínas e gorduras ingeridas.


A maioria dos artigos que tratam desse tema demonstram efeitos benéficos na indução de perda de peso, entretanto a estrutura metodológica deles são transversais ou observacionais, ou seja, o instrumento ou qualquer que seja a ferramenta utilizada para avaliar a amostra da pesquisa foi aplicada apenas uma vez ou em um curto espaço de tempo. Portanto, eles não conseguem demonstrar quais seriam os efeitos da dieta low carb a longo prazo.


A pesquisa realizada por Seidelmann e colaboradores (2018) possui um desenho de coorte (ou seja, houve um acompanhamento por um período de tempo maior) e utilizou base de dados do estudo ARIC - traduzindo para o português "Risco de aterosclerose nas comunidades" - que ocorre desde 1993 até os dias atuais. Após levantamento de dados o estudo separou a amostra pela quantidade de carboidrato ingerida e aplicou testes estatísticos para verificar as possíveis associações sendo uma delas o risco de mortalidade por doenças coronarianas, diabetes e câncer e, ainda, comparou com outras publicações que utilizaram a mesma estrutura metodológica.


Os resultados encontrados pela pesquisa foram de que tanto dietas pobres em carboidratos (<40%) e dietas ricas em carboidratos (>60%) obtiveram um risco elevado na mortalidade desses indivíduos já que houve a substituição dessas calorias por fontes de proteína e gorduras de origem animal, sugerindo que tal pratica seja desencorajada. Os resultados encontrados pelos estudos comparativos, também foram semelhantes. O interessante é que dietas em que a quantidade de carboidrato foi <40% e a substituição realizada em proteínas e gorduras foi proveniente de fontes vegetais ou plant-based, também observou-se um efeito protetor a saúde, contudo mais artigos precisam ser elaborados para abordar essa questão.


Como todos já devem ter percebido quando se trata de alimentação, não existem práticas, ingredientes ou algo que seja miraculoso o suficiente pra emagrecer, engordar ou até mesmo causar uma doença. O problema está no exagero, no excesso, na restrição e por vezes até no medo. O significado atribuído ao alimento precisa mudar, as pessoas estão vivendo em uma sociedade onde tudo é separado em bom ou ruim. Vamos começar a ter mais autonomia na hora de se alimentar. Vêm com a nossa equipe que te ajudamos a obter não só conhecimento, mas também segurança na hora de você realizar as suas escolhas, pra você, pro meio ambiente e para o futuro!!!


Leonardo Prim CRN10/7731

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Referências: Sara B Seidelmann et al. Dietary carbohydrate intake and mortality: a prospective

cohort study and meta-analysis. Lancet Public Health 2018; 3: e419–28. http://dx.doi.org/10.1016/S2468-2667(18)30135-X

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Encontrei um ótimo blog sobre alimentação saudável. Confira DicasDoBemNutri.com!

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